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Monday, March 28, 2011

Mais Rap Nas Ruas, Menos Rap Nas Estações Radiofônicas

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Não se precisa ser muito observador para reparar que cada vez mais as estações radiofónicas em Luanda passam menos temas musicais de Rap (me refiro ao Rap no geral, comercial ou Underground), actualmente ouve-se mais Rap nas ruas do que nas rádios, é do nosso interesse (amantes de Rap) que este estilo passe mais nos órgãos de informação convencional, mais que passem o Rap nacional, dado o carácter educativo e interventivo que este estilo acarreta consigo.
Chegamos ao cúmulo de ouvir mais Rap estrangeiro (que já estão mais que promovidos no mundo) em muitas das nossas rádios, em detrimento do Rap nacional, e tais estações ainda vêm dizer alto e em bom tom que defendem a cultura nacional; meus senhores, temos assistido à uma marginalização do estilo e de quem o faz, temos visto cada vez mais rappers a fazerem músicas com cabeça, tronco e membros, mas mesmo assim não têm o devido reconhecimento da sociedade civil e do Ministério da Cultura.
Parece-me que muitas das rádios só passam as músicas de quem os faz agrados, independentemente se esta música tem qualidade ou não, com esse tipo de atitudes perde a música angolana, perde o Rap, perde a cultura angolana, perdem os melómanos, perdemos todos nós.
http://balumukenuhiphop.blogspot.com

Monday, March 14, 2011

Manda Bocas entoa o hino de uma nova resenha:O Hip Hop a Morrer.

Caríssimos

Sejam muito bem-vindos a mais uma reunião a volta da árvore mujimbeira do movimento. Mais uma vez as palavras aqui se erguem como catanas a faiscarem ideias da luta armada em prol do movimento.

A presente edição começará com uma citação do registo discográfico de uma das maiores lendas do hip hop Americano, ele mesmo Nas e a música é “We Will Survive ”, registada na terceira obra e segunda dupla platina I Am, lançada aos 6 de Abril de 1999 pela Columbia Records. A música “We Will Survive” é uma homenagem aberta aos dois expoentes máximos do hip hop Tupac Shakur e Notorious B.I.G bem como é uma reflexão do artista sobre a condição sócio económica da juventude afro africana. Este sonoro é também considerado por alguns como sendo a faísca lírica que ateou fogo a palha do ego do Jay Z e que terá despoletado posteriormente o beef entre os gigantes mas isso é um aspecto que abordaremos noutra edição, por ora centremo-nos na passagem da primeira estrofe em homenagem ao Biggie onde Nas esboça o seguinte:


“I used to make records just to see your response” por Nas 

Às elações que podem ser extraídas daqui são inúmeras entretanto a que me chegou particularmente foi a seguinte e passo a explicar. Tal como os produtores fazem e retiram porções ou extractos de canções antigas, contemporâneas ou mesmo modernas para com o chamado “sample”, ou seja, para com a “amostra” que passo a chamar recorte, poderem então recriar e criar. Ora, a mesma técnica do recorte é usada pelos mcs que muitas vezes usam extracções ou porções recortadas de versos doutros mcs para criarem novas músicas, um exemplo vivo disto é claramente a música “Dead Presidents” do single promocional do álbum Reasonable Doubt de 1995 de Jay Z, o artista na música usa um recorte do verso de Nas da música “The World is Yours”, e o extracto em questão usado por Jigga é o que se segue:

“President to represent me
I´m out for Presidents to represent me
I´m out for dead presidents to represent me” por Nas

Portanto, nesta arte é característico os artistas usarem passagens uns dos outros quando estas são inspiradoras pela positiva ou ainda quando estas inspiram ou motivam beefs pela negativa. A técnica vai além, pois tal como indica a primeira passagem da edição de Nas, muitos artistas iniciarem mesmo um processo de resposta discográfica para por intermédio discográfico responderem a obras de outros ou a passagens de outros mcs em determinadas músicas. O curioso é que esta tendência também não ficou longe do nosso movimento e o foco nesta edição recai sobre o tema “Hip Hop a Morrer” do disco Renascimento do Tubarão Branco de 2010 de Sandocan.

Como é constatação geral, o ano de 2010 foi um ano que registou uma conta baixa de obras de hip hop nacional no que toca essencialmente tiranges direccionadas para o grande público, é claro que isto foi motivado por vários factores como a falta de condições económicas ou musicais por parte dos artistas para se produzirem obras ou ainda insucessos no campo musical ou tentativas falhadas de entrada no mercado musical, falta de adesão ou incapacidade de escoar as músicas nos diferentes canais musicais ou o afastamento do campo musical em função da opção pelo campo laboral noutros ramos por motivos de sobrevivência e se continuarmos a listar poderemos detalhar um horizonte infinito de razões pelas quais as obras não foram produzidas no ano de 2010.

Seja como for voltando a questão resposta, a música “Hip Hop a Morrer” é determinadamente uma das melhores do ano transacto senão mesmo a que maior impacto teve sobre o movimento. O tema retrata o estado geral desta arte no reduto nacional, o nosso já conhecido exército intervindo pelo braço do seu general faz uma chamada de atenção ao Movimento expondo as carecas, a farsa, a vaidade, a falta de sentimento genuíno, o pouco trabalho, a falta de perseverança e a orientação dinheirista por parte de alguns artistas. Factores estes que estão a roubar a essência desta arte e consequentemente a deteriorar a orientação deste estilo artístico. O puxão de orelha sentiu-se mais severo para alguns devido ao efeito surpresa  e chamo-o assim pois para os mais críticos e menos atentos a Army Squad foi injustamente categorizada como sendo um grupo virado apenas para a música de festa, digo menos atentos pois estes não ouvem as obras ao detalhe e cingem-se apenas as músicas badaladas do grupo que ficaram na boca popular passando assim o rótulo de imediato. Esquecendo que na realidade muitas vezes os temas que ficam no ouvido popular não reflectem na integra o teor de uma obra discográfica ou não revelam a amplitude geral da alma dos artistas. Para os mais atentos e também menos preconceituosos na escuta musical não foi surpresa total pois estes estão habituados a ver a Army a seu modo fazer intervenção desde o “Ela” e “Cabeça Vazia” no primeiro álbum “Firme” pela Bwé de Beats em 2002 e depois no primeiro trabalho discográfico do General da Army que volta a reunir o seu exército nos temas “Whisky Cola”  e “Se eu Soubesse”  no registo intitulado “Tubarão Branco”  de 2007. Embora seja ponto assente este colectivo nunca se ter pronunciado com relação o hip hop e particularmente o movimento é de todo discutível a noção de que o General da Army e os seus companheiros sejam desprovidos da consciência critica característica deste estilo artístico.

Assim sendo, juntando o factor surpresa mais o facto desta música ter sido a primeira manifestação directa do colectivo para com o movimento, podemos adicionar ainda a constatação global de que o estilo está em crise ou senão mesmo morto tal como mencionado novamente por Nas no álbum de título Hip Hop is Dead de 2006 que tem como objectivo reaver a essência e apelar aos feitores a darem continuidade a tradição artística peculiar deste estilo. É bem verdade que a obra do artista surge anos depois do fabuloso tema I Used to Love H.E.R (Hearing Every Rhyme) da lenda de Chicago, Common Sense, tema extraído do registo discográfico  Ressurection de 1994. Common na música faz uma analogia, dirigindo-se ao  Hip Hop como se de uma mulher se tratasse manifestando o descontentamento por vê-la tornar-se fútil, usada e banalizada. Portanto como pode ser comprovado pela perspectiva histórica o fundamento de que esta arte tem estado em colapso não é necessariamente uma tese nova e despontou há muito nas reflexões deste titã musical, ele mesmo Common Sense. Ora, postas estas cartas a mesa se torna mais fácil compreender o peso que o tema “Hip Hop a Morrer” comporta, uma vez que tem sido manobra sistemática por parte dos gigantes usarem esta chamada de atenção com o objectivo de fazerem ressurgir o real espírito do movimento e isso também é nos  revelado no tema U Gotta Do for Love interpretado por Laton “Babee Liaton”, integrante do lendário grupo Kalibrados, tema extraído da mixtape do artista de 2007/2008 onde o mesmo diz:

O a vontade que transpareço a dureza que eu te ofereço
“Deixa claro que o Hip Hop tem valor mas não tem preço”
“O Nas foi mais inteligente cagou na controvérsia
Porque salvar o hip hop é bem mais URGENTE”
Mas o mérito de uma lenda vem sempre depois
E eu vou manter vivo o hip hop e verdadeiro por mais gerações por Laton “Babee Liaton”

Assim sendo,  o ataque ou critica severa na arte hip hop é uma das tácticas usadas para provocar respostas imediatas como a que se quer num momento onde despontam artistas que tendem desvirtuar ou mudar a orientação do estilo e põem em risco a sua continuidade tal como se deseja. O puxão de orelha foi tão severo que determinadas vozes sentiram de imediato a obrigatoriedade de manifestarem suas opiniões no sentido de confirmar a vida e existência do hip hop e a resposta ao tema Hip Hop a Morrer de Sandocan e seu exército é orquestrada pelo duo que atende por Génesis na música Hip Hop, extraída da obra discográfica intitulada “Renascer do Meu Povo (Valorize o Angolano)” de 2010, a resposta traz versos claros e direccionados, vejamos determinadas passagens:

“Esses niggaz falam shit vira boca wi
Como é que o rap morreu se estou aqui”
“O rap vive isso é lógico
Se o rap morreu quando é que foi o óbito?”
“O rap vive ainda hj lhe vi
Vi no carro de um mwadie que ouvia SSP” por Action Nigga

“Que defunto é esse que ainda fala que ainda ouve
E quando abre a boca o mundo inteiro se move”
“Cada geração no mundo tem a sua era
Lamento que se o rap que tu fazes já era”
“Vem em frente impõe a tua posição
O rap que tu fazes é que é rap o dos outros não”
“És o campeão dragão, és o nosso capitão
Quero que tu saibas que o rap não morreu não” por Punidor

“Dizem que danço do milindro
Eu danço e até digo posso
Porque quando danço valorizo o que é nosso”
“Se rappers imitam o Jay Z
Porque não posso imitar Agre G “
“Valorizo tudo que é de cá
Por isso danço do milindro e até chupa lá”
“E o rap não morreu pra mim
Porque a cada dia nasce mais um mc”
“Tu és louco, rap vive bro
Na criança, pai e mãe na avo”
“Se amas o rap saiba o hip hop
Não morreu porque o teu coração bate” por Action Nigga

O que para muitos pode ter sido interpretado como beef aos meus olhos parece ser o resultado automático a terapia de choque usada pelo Sandocan e o seu exército e a terapia foi tão bem medida que de imediato vão surgindo outras respostas como podemos verificar na voz do sonante produtor e mc Raiva e na voz do Número 1 do Rap em Angola Big Nelo na música “É Impossível” :

“Businesses são grandes e música é parte disso
Se o hip hop está a morrer ponho o meu coração nisso” por Raiva

“Puto, xé, sai, eu sou a praga
O hip hop não morre porque o Big da Carga”por Big Nelo

Como se pode ainda ouvir do digníssimo mc Kool Kleva na mixtape o “Último Samurai V2” de 2010

“Não casei com o rap eu sou raio desta merda
Sou macaco no meu galho e eu não caio dessa merda” por Kool Kleva

Ou como podemos também ouvir o incrível mc Benhur na faixa “Rap Slaves” 

“Não casei com o rap fiz amizade com ele
Tenho-lhe presente na mente, não preso na pele” por “Benhur”

A terapia de choque de Sandokan e seu exército se mostra efectiva e sustentada pois além das vozes já mencionadas surge uma chuva de vozes eminentes de dentro do movimento confirmando e sustentando a chamada de atenção tal como pode ser comprovado em algumas vozes manifestadas no trabalho discográfico Mixtape de 2010 “O Último Samurai V2” do nosso ilustre “Dj Samurai”, como poderemos verificar abaixo:

“O rap ta cada vez mais wack está-se a degradar
Muitos infiltrados querem tomar o nosso lugar”  por Bob da Rage Sense

“Colam-se com o DURO
Eu colo-me com o PURO”por Denexel

“Aconselha o teu empresário a fazer seguro de investimento
O rap tá decepcionar mais que gravidez antes do tempo” por Extremo Signo

“Há muitos rappers poucos com habilidade
Não preciso ser palhaço pra cantar a verdade” por Vui Vui

“A quantidade de cérebros a pensar na cérebro
São suficientes para libertar o hip hop do enterro
E se for para brincar de mcs
Peguem nas vossas caras e tentem no karaoke” por CFKappa

“Ouvi muitos álbuns, muitas merdas saíram
Muitos wís lançaram e nada raparam” por Lil Jorge

“O rap ta uma bosta
O movimento corre a conta gotas
Todo rapper é a merda, hip hop anda as moscas” por Kadaff

“Eu tive de aprender a saber fazer e saber ser
O rap esta em coma profundo, ok vou socorrer” por Raf Tag

“O under tá morrer, grande se vinga
Quero lá saber brother sandinga,
Quem num tá aguentar pode fugir
O que eu posso vós garantir é que o meu nome ainda não é MINGA” por Pai Grande o Poeta

As manifestações são inúmeras e todas apontando na mesma direcção do “Hip Hop a Morrer” o que torna a música do colectivo da Army bastante sustentada pois todas estas tencionam fazer ressurgir o espírito verdadeiro e reacender a chama do hip hop e muitas vezes os artistas se apedrejam entre si não prestando atenção ao facto de no fundo estarem a lutar pela mesma causa e a memorável resposta garantindo a vida, força, espírito e continuidade do hip hop surge no verso memorável de Reptile que passo abaixo por completo:

A idade pesa o tempo urge e nada fica pra depois
Isso é a mixtape do Dj Samurai parte dois
Segundo as más línguas o hip hop tá nas últimas
Enquanto não morrermos vou ter cá as minhas dúvidas
Somos a evidência de existência
Somos um movimento nos chamem de resistência
Similar a Martin Luther King ou a Malcom
Mesmo que me mates, faço história como o Michael
Chegamos ao fim nah isto é o princípio
Vem, mobiliza o teu município
Traz a tua squad brother traz a tua gang
Precisamos de mcs e não de gajas num harém
Pra cuidar a cultura nos ghettos e nas cities
Pra isso há um só caminho como o Viris
Vivo pela causa morro pela causa
Se alguém se mete no caminho brother eu corto pela cauda
Mcs, djs, graffiteiros e b boys
A todos que acreditaram e se mantêm real hoje
Muitos falharam mas esquece quem ta de costas
Avisem ao mundo inteiro o nosso hip hop ta de volta por Reptile

Conclusão, estamos de facto vivos e creio que a intervenção do Sandokan, Mainkilla e Nkruman Bea não foi senão a de fazer os músicos afirmarem que o movimento perdura e que é através da música verdadeira e com essência que perduraremos. Assim sendo, este tema é sem duvida o tema com maior abrangência dentro do movimento e também na esfera popular devido a notoriedade que os artistas deste colectivo granjeiam no seio do grande público. Voltando a objectiva noutra direcção a Rádio Luanda destacou o nosso querido Phathar Mak  como o artista hip hop do ano de 2010 e a meu ver no que toca o grande público ou máximo apelo popular no que toca este estilo apenas posso veicular dois nomes Kid Mc ou Sandokan e considerando o facto da obra do Kid Mc ter saído no fim do ano e a obra do Sandokan ter saído bem mais cedo e ter também tocado bem mais tempo e ter abrangido uma base de ouvintes bem mais extensa dentro e fora do movimento, acredito e sem querer roubar o mérito ao artista e pioneiro Phatar Mak, ou o empenho, talento, eloquência  e franqueza na obra do Kid Mc, acredito que a distinção deveria ser atribuída ao Sandokan pois o trabalho do artista falou por si e na realidade sem querer são manifestações deste género por parte dos meios de difusão massiva que tanto podem fazer com que os artistas se esforcem mais para produzir como podem fazer com que estes se vendam fazendo apenas o que as rádios e radialistas desejam, noutras palavras, manifestações do género podem de facto causar o enterro deste estilo musical! Portanto a iniciativa de criação da distinção  por parte da rádio é bastante salutar mas queremos imparcialidade e objectividade na eleição de artistas e queremos jornalistas que façam bem o trabalho de casa e que na eleição de artistas fiquem completamente de parte os corredores políticos e jogos de conveniência típicos da politica Angolana.

Manda Bocas faz a resenha dos melhores do Hip Hop nacional de 2010

Como é do conhecimento da maioria o estilo Hip Hop é trazido ao mundo nos anos 70 pelas mãos do Dj Kool Herc no Bronx, Cidade de Nova Iorque (EUA). O estilo nascido outrora cresce ao sabor da magia do suor, sangue, lágrimas, amor, ódio, visão, hábitos e modo de vida de um povo sincronizados numa criatividade sem igual no terreno global e a nossa lavra não ficou a margem a sua passagem. Por aqui também ficou cultivada a semente da arte do ritmo e da palavra.

Todavia embora este estilo de música tenha ganho já suficiente número de seguidores na território que se estende de Cabinda ao Cunene e tenha feito visitas desde os musseques ao palácio presidencial na capital do país e tenha também já produzido filhos maduros com o semba, kuduro e outros ritmos Angolanos. O mesmo ainda não é reconhecido oficialmente perto das outras sonoridades e pouco tem sido feito pelo Ministério da Cultura, Rádios e Tops para homenagear os feitores desta arte que pelo número e pelo apelo popular que encontraram no coração da população do território nacional deveriam ter já a sua categoria nas distinções musicais e o devido mérito entre as estrelas musicais nacionais.

Será que os artistas de hip hop nacional não são merecedores de distinção? Ou será que a visibilidade, nomeações e prémios que o nosso hip hop nacional vai aos poucos ganhando em países como Moçambique, África do Sul, Nigéria, Portugal entre outros simplesmente confirmam a falta de iniciativa, apreço e preconceito por parte das instituições, organizações e organizadores da esfera musical e cultural em Angola?

A presente edição surge exactamente com o propósito de senão a nível nacional pelo menos a nível interno do movimento ou no mínimo a nível dos mais íntimos atribuir o reconhecimento aqueles artistas que encontram a gratificação na criação, em nome dos que queimam pestanas para espelhar em palavras a vivência de um povo e de uma nação, o modo de agir e pensar de uma geração, segue em nome dos que quebram as barreiras do medo para oferecerem a sua visão e as suas vidas com o sentido de contribuírem com a palavra e o ritmo para o enriquecimento da memória colectiva de um país e de um povo, para plasmar no mapa nacional e mundial visões, noções, atitudes, pensamentos, comportamentos colectivos ou individuais que se fizeram sentir algures na imaginação, na vida ou na mente artística dos criadores.

É natural que a atribuição de qualquer premiação gere controvérsia, reboliço tanto entre os adeptos como entre os feitores, será eternamente assim até onde existirem seres humanos com percepções e gostos diferentes e é principalmente assim quando o assunto é a arte de mciing. As emoções saltam para a flor da pele, os ânimos se agitam, todos wis viram memo canucos. Na minha opinião isso é o melhor de tudo pois embora o reconhecimento ainda não venha através de cheques avultados, viagens ao estrangeiro, noites em hotéis fabulosos, shows lotados, fãs que dão o corpo e a alma, o reconhecimento surge através das bocas mudas e insufladas de orgulho, ou de algumas conversas agitadas e aquecidas nos bairros onde se discute vivamente quem é ou quem são os melhores.

Aqui serão enumeradas as melhores obras discográficas de 2010 no que toca o hip hop nacional. Faço a devida ressalva que outros indivíduos poderão ter outra percepção e não devem por nada desmerecer as suas preferências em função das obras, artistas, que aqui serão mencionados ou entrarem em conflito por não verem os seus preferidos aqui destacados o importante é tentar perceber a razão pela qual as seguintes obras e seguintes artistas são aqui ilustrados e deixo isso como tarefa de casa para os leitores ou feitores desta arte que não estiverem de acordo.

Melhores Obras Discográficas de Rap Nacional de 2010 

Conjunto Ngonguenha – Nós do Conjunto
Kid Mc – O Incorrigível
Sandokan – Renascimento do Tubarão
Cérebro Records – Mantém-te em Movimento

>Melhores Versos de 2010<

Kid Mc & Mc K - O Porquê da Investida
Raf Tag – Real Hip Hop
Nkruman Bea – Wanna Be My Girl
Abdiel – Alleluya (Mixtape Dj Samurai)
DaBullz & Kennedy (Muralha) – Meu Mundo
Keita Mayanda & Edu ZP – Sorriso Angolano
Keita Mayanda & Ikonoklasta – Vou Te Queixar
Keita Mayanda & Grande L – Medo do Regresso
Keita Mayanda & Grande L – Tia
Sandokan/Mainkilla/Nkruman Bea – Hip Hop a Morrer

>Melhores Músicas Rap de 2010>


Hip Hop a Morrer – Sandokan
Graduação - CFKappa
A Luta Não É Igual Feat (Siminimimoio) – Raiva & Reptile

>Melhores Produtores de Hip Hop de 2010>


Condutor
Raiva
Level Khrónico
Sandokan
Kennedy Ribeiro

>Melhores Produtores de Hip Hop a surfarem outras praias 2010>

Mad Contrário
Dji Tafinha

>Melhores Skills de Hip Hop de 2010>


A Diferença – Sandokan (Mainkilla, D One, Nkruman Bea) (Army)
Elevador – X da Questão
Os Mesmos de Sempre Feat Raiva – Filhos da Arte
O Vosso Rap Feat Reptile – Extremo Signo


>Melhores Liricistas de Hip Hop de 2010>


Keita Mayanda
Kid Mc

>Melhores Flows de Hip Hop de 2010>

Kibidi – Ikonoklasta & Condutor
Bolas d´aço – Kool Kleva
A Diferença – Mainkilla

>Produtores mais quentes nas linhas >


Raiva
Condutor


>Aparições sonantes em Mixtapes de 2010>


Denexel
Vui Vui
Flysquad
Reptile
Bob da Rage Sense
Carbono
Abdiel


>Sons Badalados de Hip Hop de 2010>

Eu sou Solteiro Feat Paul G – Zona 5
Xtou Doido Feat Fill Raiva & Reptile

 >MENÇÃO HONROSA>

Brasa Angolana a Queimar Dentro e Além Fronteiras - Bob da Rage Sense
Aclamado pelas massas – Kid Mc
Campeão das Mixtapes – Abdiel
A Escaldar – Reptile
Tochas do Subterrâneo – Raf Tag /Ngana
Sempre em Chamas – Extremo Signo
A correr a Maratona – Big Nelo
A Ganhar Terreno – Zona 5



Nota Final:
Para encerramento gostaria de felicitar o movimento por mais um ano esforçado e que muito embora tenhamos tido um ano relativamente pobre em termos de número de obras, verificou-se um salto qualitativo espelhado no trabalho dos artistas tanto a nível de composição, como a nível de produção e execução e nesta base são estendidas congratulações aos mcs bem como aos produtores. Os parabéns são ainda extensivos a outras categorias da cultura hip hop como aos grupos de dança hip hop que vão surgindo e aos artistas de graffiti desta feita enviando um abraço especial a BAW CREW. Na onda das felicitações é também imperioso felicitar a revista ZWELA pela coragem, esforço e iniciativa de começar um ramo de jornalismo musical que amedronta ou nem sequer passa pela pretensão da maioria de investidores com o capital para reunir os meios para o fazer e levar os artistas e a música para o grande público através do jornalismo musical feito em revistas musicais. É estendido um enorme abraço também aos Djs de hip hop que apoiam o movimento nacional GMC, Bika por acreditarem numa música que muitos djs que têm a oportunidade de levar a música a um público maior não o fazerem. Será que a música que fazemos não tem chama ou será que os djs é que não têm colhões pra aguentar a brasa? Shout out também para os designers que se esfolam para encontrarem a melhor maneira de levar a imagem dos artistas ao público.

Por último mas não menos importante embora não mencionando nomes ficam também felicitados todos artistas de hip hop. Sejam vocês conhecidos ou não acreditem é também do vosso sangue que se move de modo invisível que o movimento também vive! A razão pela qual não são mencionados aqui é simplesmente porque a presente edição faz uma incursão aos  grandes destaques de 2010!

>Ideia>

Como ideia de união proponho uma ode ao movimento no beat do Elevador, obra do X da Questão, com participação do próprio e mais mcs como Piracknideo, Mr K, Wilson Slick Will, Reptile, Kid Mc, Djeff Brown isso precisaria de um trabalho de organização por parte dos mcs na construção da estrutura das barras a organização poderá ser semelhante a do Kibidi do Conjunto Ngonguenha. Gostaria de ver camisolas estampadas com a escritura MOVIMENTO, para realização do clip sugiro filmagens em várias zonas de Luanda com a participação de vários artistas de Luanda e das províncias. Bem dizem que sonhar é de borla e eu faço-o não por ser gratuito mas sim porque vem de dentro e porque respeito, amo esta arte e o trabalho dos artistas e esta mais do que na altura de todos começarem a fazer mais por essa MERDA, o movimento existe e é exactamente como disse o Reptile, NOS CHAMEM DE RESISTÊNCIA!
  
>Apelo para 2011>

Sentimento, força, visão, trabalho e união são as palavras lançadas ao movimento, vamos por mais música na rua, vamos invadir as casas, as pistas de dança as rádios, os salões os quartos e incendiar os corações e as almas com o ritmo da nossa música!

Wednesday, September 29, 2010

A Mitologia Angolana

De todas as personagens mitológicas da nossa sociedade, existiu um grupo que causou mais tumulto que Man-Borró, Anselmo Ralph e os Kalibrados juntos. A lenda dizia que eles atacavam as escolas, raptavam ou matavam alunos e professores, colando uma das partes do corpo das vítimas no quadro da escola. Meu Deus... Que Medo! O nome deste grupo aterrorizador era: Caixão Vazio!

Nós todos caímos nessa estória que nem bebés tentando se pôr de pé; claro, que uns caíram de rabo e outros de cabeça no chão.

Vamos Lá Ser Sinceros, aquela estória de que eles colavam as "mamas" de certas vítimas no quadro tinha mesmo cabimento? Assim então eles usavam que material para colar os seios? Cola branca, pattex ou silicone? É que também não conheço alguém que tenha visto isso. Pura canção de ninar para embalar bovinos.

De qualquer forma esse mito mexeu com a vida de muita gente. Pessoas pulavam do segundo andar da escola (no juventude e primeiro de maio então), professores abandonavam os alunos nas salas de aulas e tantas outras cenas bizarras que aconteciam quando ouvissem alguém gritar Caixão Vazio; esse grito era mais eficiente que o sino de intervalo. Eram pontapés para todo o lado.

Quando alguém pergunta-me porque razão eu gosto tanto de adrenalina, eu dou logo conta que esta pessoa não passou pelo sufoco de fugir deles. Com apenas 8 anos, eu pulava muros com mais de 2,5 metros de altura. Chegava em casa todo rebentado, às vezes passava pelo buraco de uma agulha e batia constantemente os recordes do Usain Bolt nos 100 metros, e para não passar por burro, eu até jurava que eles estavam a vir atrás de mim. "Fugava" umas 2 semanas seguidas porque "os caixão vazio" alegadamente atacaram e poderiam voltar a escola. Hoje em dia poucas coisas me fazem sentir tanta adrenalina!

Mas nós (angolanos) somos terríveis, o único mito urbano da nossa sociedade desfavorecia a ida à escola?! Eu não me deparei com esta particularidade quando tive contacto com a mitologia grega, romana nem com a japonesa. Só mesmo na mitologia angolana. Notem só o detalhe, a nossa prioridade era criar medo nas escolas, era como se fosse um movimento a favor do analfabetismo. Aqui não há Jack Estripadores, não há nada. Caixão Vazio foi pior. Era Pânico Na Hora!

Não vamos só se mentir ninguém nunca os viu. Como era possível fugir um grupo que atacava pelas manhãs também, mas ninguém os via? Só não pedimos a intervenção dos historiadores porque já sabemos que eles apenas sabem falar de Mandumes e Njinga Mbandes, e um assunto desse não dá para lhes envolver.

E falando a sério agora, quando o problema é concreto a polícia tem problema de resolver o caso, imagine um problema desse todo abstracto da sua vida? Prenderiam os mais rijos da escola, meteriam uns tantos televisores a frente deles, e depois a TPA aparecia a mostrar os integrantes do Caixão Vazio... Caso resolvido!

Pelo sim, pelo não, enquanto eles actuaram eu tinha férias sempre que um generoso gritasse de aflição. Pô será que ninguém pode gritar Caixão Vazio no meio da faculdade?

Quando falares de Caixão Vazio em Angola, saiba que estás a falar de Zeus na Grécia!

FONTE:http://www.semmanaistabus.blogspot.com